Para Roma com Amor


 

Cotação: Regular.

O “exílio” criativo de Woody Allen demonstra em “Para Roma com Amor” estar dando sinais de desgaste. Depois de realizar filmes interessantes fora de sua Nova York, passando por Inglaterra, Espanha e França, Allen aporta em Roma de maneira preguiçosa, parecendo ter escrito um roteiro no piloto automático, como se fosse receita de bolo. Possivelmente isso ocorra pela falta de espontaneidade desse projeto, claramente realizado por razões meramente comerciais e que provavelmente recebeu bastante dinheiro do Ministério do Turismo Italiano para promover as belezas de Roma.

Nesse acordo comercial Roma saiu ganhando, pois a cidade é mostrada com beleza pelas câmeras de Allen, que mais parece um turista encantado diante dos monumentos históricos do que um cineasta envolvido com a qualidade de sua produção. Ao invés dos seus tradicionais temas de jazz na abertura, dessa vez é a clássica canção de Domenico Modugno, “Volare” que faz as honras da abertura, com a função de tentar levar o espectador a embarcar nessa sua nova viagem. Ah! Sim, Woody Allen mostra como Roma é realmente linda demais!

O filme é dividido por quatro histórias paralelas que jamais se cruzam. Numa, um casal americano(Allen e Judy Davis) chega a Roma para conhecer a família do futuro marido de sua filha. Noutra um homem absolutamente comum e de vida simples e ordinária(Roberto Benigni) se transforma, sem nenhuma razão para isso,  numa celebridade da noite para o dia. Numa terceira história, um casal interiorano recém-casado(Alessandro Tiberi e Alessandra Mastornadi) chega a Roma com perspectivas de ali vir a morar, ela acaba se perdendo pela cidade e ele involuntariamente acaba se envolvendo por uma prostituta(Penélope Cruz). Por fim um jovem casal, Jack e Sally(Jesse Eisenberg e Greta Gerwig)a hospedam em sua casa uma amiga dela, Monica(Ellen Page). Com a missão de mostrar a cidade para a visitante, Jack acaba perdido de amores por Monica. Há ainda o personagem de Alec Baldwin, um arquiteto norte-americano cuja principal função no filme é servir de voz da consciência de Jack.

Tal como as piadas já manjadas de Allen, este filme nada acrescenta a sua extensa filmografia, talvez seja a hora dele começar a diminuir o ritmo de sua produção de praticamente um filme por ano para não voltar a ficar burocrático. Se Allen virá realmente fazer um filme no Rio de Janeiro, como ele mesmo admite a hipótese, não esperemos nada muito diferente disso, pois virá exclusivamente pelo dinheiro que a prefeitura do Rio promete colocar no filme.


Palpites para este texto:

  1. Eu amei esse filme, achei super bonitinho!!
    Mas concordo com a crítica, já vi filmes bem melhores do Woddy Allen.

  2. Bem-vinda, Ana Beatriz. Achei esse o mais fraquinho do Woody Allen nos últimos anos. Achei preguiçoso e feito meio que no piloto-automático. Mas lógico que um filme de Woody Allen sempre merece ser visto.

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