Crítica: Plataforma


 

Fazia tempo que não ia na Plataforma, para ser mais exato, desde que Tom Jobim  ainda era vivo. Sim, pois ir a Plataforma e não ver Tom Jobim era com ir a Roma e não ver o Papa. Sempre sentado num canto do salão, passava a tarde inteira tomando seu chopp bolinha com o frango atropelado, como ele mesmo dizia. Tom era até “garoto propaganda” da casa em comerciais de televisão exaltando o “chopp dourado da felicidade” da Plata, duvido que cobrasse cachê. A amizade era tanta que dentro da churrascaria hoje em dia existe o Bar do Tom.

Para nosso desgosto um dia Tom se foi e fiquei mais de 20 anos sem frequentá-la. Voltei no último fim de semana. Disseram-me que tinha trocado seu serviço à la carte pelo rodízio.  Informação errada, contínua com o sistema à la carte, uma das últimas sobreviventes desse  sistema. As outras todas sucumbiram. Nesses anos deixaram de existir a Carreta, a Copacabana e a Jardim, por exemplo. Enquanto outras partiram para o rodízio, como a Gaúcha e a Leme(atual Palace). Mas a Plataforma resistiu, tal como a Majórica.

Cheguei num domingo, às 14:00. Pior horário impossível. A área de espera é bem confortável, com aconchegantes poltronas e é possível ir pedindo alguns aperitivos. Mas apesar do horário de pico, não esperei nem 10 minutos para conseguir uma mesa.

O couvert mantém os tradicionais pãezinhos de queijo, dos meus tempos de criança. Vem uma cestinha cheia, quentinhos. Além disso patê, manteiga e azeitona. Outra cesta com 1 pãozinho e cheia torradas. Pois é, isso me incomoda. Encher a cesta com torrada. Torrada num couvert tem que ser acessório e não o principal. Ficaria perfeito o couvert com mais alguns pãezinhos e menos torrada, junto com aqueles pãezinhos de queijo que estalavam deliciosos na minha boca.

Olhando o cardápio, achei os preços um pouco caros. Foi pedida uma garrafa de vinho e 2 linguiças de entrada. As linguiças eram boas, mas não figurava no meu ranking das melhores linguiças da cidade, no qual aparece a do Braseiro da Gávea em primeiríssimo lugar, a linguiça da Majórica em segundo lugar e quanto ao resto… é o resto.

Pedimos 2 bifes de chorizo, uma porção de batata soufle, uma de batata rostie e uma porção da farofa dolabella(mais ovo do que farinha). Enquanto esperávamos nosso pedido, solicitamos outra rodada de linguiças.

Os pratos que chegavam em volta era apetitosos, finalmente chegou o nosso. Os bifes de chorizo eram 2 toras enormes. Devo dizer que estavam muito bons, diria que melhor que o que comi no Gonzalo, especializada em parrillas uruguaias. Minha batata soufle veio por engano materializada em batata frita. Resolvi não polemizar e fingi que tinha pedido fritas mesmo. Na verdade, senti desde o início os garçons meio tensos, numa casa tão tradicional e com profissionais experimentados não havia necessidade de ocorrer tal situação. Eram atenciosos, solícitos e educados, mas tive que pedir 2 vezes a 2ª rodada de linguiças, mais 1 refrigerante e mais gelo. Mas repito, os garçons eram atenciosos, tem certas situações que devemos relevar e sermos pacientes com alguns pequenos deslizes.

Depois desse banquete não havia espaço para sobremesa e pedimos a conta. R$ 320,00, para 2 pessoas, com uma garrafa de vinho. Achei um pouquinho salgado, mas de qualquer maneira, o almoço foi altamente satisfatório.


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