Prêmio Zilka Sallaberry 2018 – Indicados


 

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Por Renato Mello

Nesta semana foi divulgada a lista de premiação do Zilka Sallaberry, a mais longeva do teatro infantil carioca. Mais além daquilo que será “apenas” uma cerimônia de entrega de estatuetas, é preciso entender a significação do que estas 12 edições representam, o que envolve e de que maneira repercute no segmento.

Prêmios como o Zilka Sallaberry, assim como o CBTIJ, não são apenas abalizadores de qualidade, mas esteios para o modo de pensar um teatro com caprichos, compromissos éticos e morais muito específicos, um espaço para se refletir sobre todo um movimento realizado num espaço de tempo determinado, para que seja lançado ao futuro um significado de sua representação.

Há muitas barreiras que o teatro infantil ainda tem que vencer para ser entendido como uma expressão artística maior, começando pela a própria comunidade teatral, de onde mesmo existe uma visão com certa dosagem de preconceito, ignorando-se todo um vasto trabalho de pesquisa de linguagem, de aprofundamento dramatúrgico, de encenações complexas que alcancem o emocional e o imaginário infantil . Também entre nós, críticos, como pude constatar pouco tempo atrás numa mesa que participei com colegas de ofício, que me expressaram um olhar piedoso quando revelei que além dos espetáculos teatrais “convencionais” ainda assistia a pelo menos 1 infantil por semana. Não sabem eles justamente de que lugar retiro meus maiores prazeres. É preciso primordialmente que o teatro faça seu trabalho de casa para que seu segmento infantil consiga erguer a cabeça com maior altivez.

Optar pelo trabalho no teatro infantil requer uma propensão à devoção, dispor da doação para a formação moral e ética de um público. Li um tempo atrás no site “Pecinha é a Vovozinha”, do jornalista Dib Carneiro Neto, uma entrevista da dramaturga e diretora musical Fernanda Maia, que bem merece uma reflexão sobre esse tema: “Não faça teatro para crianças a menos que você queira, de verdade, se comunicar com este público. Trate a criança como você gostaria de ser tratado, seja honesto e responsável. Não se paute somente por questões mercadológicas, nem porque você acha que é mais fácil de vender. As crianças entregam para a gente todo seu encantamento, elas precisam ser tratadas com respeito“.

Não estamos em dias atuais nos mesmos tempos de outrora, quando o Zilka Sallaberry contava com um generoso patrocinador, premiava também em dinheiro e fazia cerimônias no Oi Casa Grande. Mas a força de um prêmio reside justamente nessa hora, que indiferente às dificuldades, sua representatividade não se limita a uma pujança financeira, mas na sua estrutura, nos seus valores e na sinceridade dos seus propósitos.

Se o prêmio resistiu sem apoio e patrocínio na sua 12ª edição muito crédito tem que ser dado aos seus jurados, Claudia Valli, Diego Molina, Fabiana Valor, Leonardo Simões, Marcos Ácher e Zé Helou, todos, sem exceção, representativos e atarefados criadores do segmento teatral, que movidos apenas pelo sentimento de missão que cumpriam, sem nenhuma espécie de remuneração ou algo do gênero, dispendiam com dedicação, como pude testemunhar ao longo de todo o ano, seus fins de semanas em idas e vindas pela Ponte Rio-Niterói para assistirem aos espetáculos infantis de ambos os lados da Baía de Guanabara. Sendo também necessário ressaltar a importância de Carlos Augusto Nazareth, criador do prêmio e que neste ano se afastou da sua coordenação.

Por tudo isso, o Prêmio Zilka Sallaberry continua sendo uma engrenagem importantíssima para que o trabalho de artistas e criadores ganhem todo o reconhecimento que merecem.

Neste ano a premiação ocorrerá em outubro. Não haverá avaliação dos espetáculos em cartaz no 2º semestre. O júri da 13ª edição somente começará seu trabalho em janeiro de 2019 com os espetáculos em cartaz nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói.

Por fim, é hora de celebrarmos aqueles que fizeram o melhor do teatro infantil em 2018. Abaixo , a lista dos indicados divulgado pelo Cepetin.

ESPETÁCULO
“Contos partidos de amor”
“Isaac no mundo das partículas”
“João, o alfaiate – um herói inusitado”
“Makuru, um musical de ninar”
“Pelos 4 cantos do mundo”

TEXTO
Alvaro Assad, Marcio Moura e Melissa Teles Lôbo por “João, o alfaiate – um herói inusitado”
Camila de Aquino, Diogo Magalhães, Helena Stewart, Isaac Bernat, Lucas Oradovschi e Marina Bezze por “Rosa e a Semente” (inspirado no conto O pote vazio)
Eduardo Rios por “Contos partidos de amor”
Vanessa Dantas por “Thomas e as mil e uma invenções”

DIREÇÃO
Álvaro Assad por “João o alfaiate – um herói inusitado”
Breno Sanches por “Pelos 4 cantos do mundo”
Duda Maia por “Contos partidos de amor”
Fabiana de Mello e Souza por “Thomas e as mil e uma invenções”
Isaac Bernat por “Rosa e a semente”
Joana Lebreiro por “Isaac no mundo das partículas”

ATRIZ
Aline Carrocino por “Bituca – Milton Nascimento para crianças”
Ana Barroso por “Lasanha e Ravioli em Cinderela”
Helena Cerello por “Cinderela lá lá lá”
Helena Stewart por “Rosa e a semente”
Letícia Medella por “Thomas e as mil e uma invenções”
Thais Belchior por “Thomas e as mil e uma invenções”

ATOR
Álvaro Assad por “João, o alfaiate – um herói inusitado”
Gabriel Stauffer por “Thomas e as mil e uma invenções”
João Lucas Romero por “Isaac no mundo das partículas”
Márcio Moura por “João, o alfaiate – um herói inusitado”

CENÁRIO
Clívia Cohen por “Bituca – Milton Nascimento para crianças”
Fernando Mello da Costa por “Pelos 4 cantos do mundo”
Flávio Souza por “Contos do mar”
Natália Lana por “Makuru, um musical de ninar”
Raquel Theo por “João, o alfaiate – um herói inusitado”

FIGURINO
Carlos Alberto Nunes por “A história das histórias”
Carol Lobato por “Makuru, um musical de ninar”
Kika Lopes por “Contos partidos de amor”
Marco Lima por “Cinderela Lá Lá Lá”
Pedro Sayad e Tita Nunes por “Camaleão e as batatas mágicas”

ILUMINAÇÃO
Ana Luzia de Simoni por “A menina e a árvore”
Aurélio de Simoni por “Thomas e as mil e uma invenções”
Paulo César Medeiros por “Makuru, um musical de ninar”
Renato Machado por “Contos partidos de amor”
Renato Machado por “Ovelha Negra”

MÚSICA
Mateus Xavier – Direção musical em “Kalu e a Lua”
Ricco Viana – Trilha original e arranjos em “Contos Partidos de Amor”
Ricco Viana – Direção musical em “Isaac no mundo das partículas”
Tim Rescala – Música original, Direção musical e Arranjos em “Makuru, um musical de ninar”
Tim Rescala – Músicas, Direção musical e Arranjos em “Thomas e as mil e uma invenções”

PRODUÇÃO
“Bituca – Milton Nascimento para crianças” de Diego Morais e Pedro Henrique Lopes (Entre Entretenimento)
“Contos partidos de amor” de Bruno Mariozz (Palavra Z produções Culturais)
“Isaac no mundo das partículas” de Camila Vidal
“Makuru, um musical de ninar” de Cacau Gondomar e Fabricio Polido (Belazarte Realizações Artísticas).
“Thomas e as mil e uma invenções” de Vanessa Dantas (Marcatto Produções Artísticas); Bárbara Galvão e Carolina Bellardi (Pagu Produções Culturais).

MENÇÃO HONROSA
Batalhinha de Improvisação com Máscaras para Crianças – Pela qualidade do trabalho resultante da pesquisa sobre improvisação e máscaras balinesas, voltada para o público infantil.

Cia. Teatral Milongas, que completa 15 anos de atividades (com o espetáculo “Pelos 4 Cantos do Mundo”)

Cleber de Oliveira – Pelo visagismo (maquiagem, cabelos e próteses) do espetáculo “João, o alfaiate – um herói inusitado”

Paula Cristina, Débora Cheyne, Cássia Menezes e Tibor Fitte – Músicos do espetáculo “Makuru – um musical de ninar”

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Dudu Sandroni – Por sua importante atuação como diretor, autor e pesquisador, sempre contribuindo para o desenvolvimento do teatro para crianças no Brasil.

HOMENAGEM ESPECIAL a Carlos Augusto Nazareth Pelo estímulo à reflexão e à busca de qualidade no fazer teatral para crianças, através de sua trajetória múltipla e da criação do Prêmio Zilka Sallaberry de Teatro Infantil, há doze anos.


Palpites para este texto:

  1. Leonardo Simões -

    Belo e oportuno texto, Renato! Agradeço pessoalmente e, também, em nome do Prêmio Zilka Sallaberry, pelo sua dedicação à reflexão e por sua parceria com as boas causas do Teatro! Um abraço!
    Leonardo Simões
    Coordenador e Jurado do Prêmio Zilka Sallaberry de Teatro Infantil

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