Crítica: Qual é o Nome do Bebê?


 

 

Qual é o Nome do Bebê?” parte de um típico e banal artifício do teatro: uma aparentemente inofensiva piada acaba gerando num crescente um conflito que vai ganhando maiores proporções ao longo da trama, servindo de plataforma para uma série de revelações aonde os personagens acabam por exteriorizar seus sentimentos e pensamentos ocultos. Yasmina Reza, por exemplo, adora se utilizar dessas situações. Nada mais normal para o filme, afinal é uma adaptação da peça “Le Prénom“, escrita por Alexandre de La Patellière e Mathieu Delaporte, responsáveis também pela adaptação cinematográfica do seu próprio trabalho.

O filme se passa basicamente dentro de uma sala com 5 personagens. Vicent(Patrick Bruel), um quarentão bem sucedido e superficial, vai ser pai pela primeira vez. É convidado para jantar na casa de sua irmã Elisabeth(Valérie Benguigui) e seu cunhado Pierre(Charles Berling), um intelectual de esquerda, lá também estarão seu tímido amigo de infância Claude(Guillaume de Tonquedec). Enquanto esperam por Anna(Judith El Zein), esposa de Vincent, o quarteto conversa à cerca da escolha do nome do bebê. Após muito questionamento, Vincent revela o nome escolhido, essa resposta desencadeia o caos no ambiente.

A partir desse episódio a verborragia toma conta do ambiente, o que é absolutamente normal em se tratando de um texto originalmente teatral e ainda mais um texto francês, porém  devido a fluidez dos diálogos e o bom ritmo desenvolvido pelo filme, esse excesso em nenhum momento aborrece, pelo contrário, diverte bastante.

Para o êxito do filme, os atores têm participação fundamental. As 250 apresentações da peça encenada no teatro Edouard VII de Paris foi um ótimo ensaio para evitar que se realizasse um teatro filmado, ainda mais que à exceção de Charles Berling, todos os atores participaram da peça. Mas para um ator experimentado como Berling, não foi difícil manter o tom do resto do elenco(no teatro seu papel foi interpretado por Jean-Michel Dupuis).

Apesar da divisão homogênea dos papeis, o foco maior se concentra em Patrick Bruel. Bruel segue no atual cinema francês aquela velha tradição que vem lá dos tempos de Yves Montand(quem quiser pode ir mais além, em Maurice Chevalier), de se utilizar dos serviços de famosos cantores nas telas de cinema, assim ocorreu com Jacques Brel, Charles Aznavour, Johnny Haliday e até Marc Lavoine(alguns melhores, outros piores). Bruel, que já tem um relativo currículo cinematográfico, interpreta com competência um tipo debochado, sarcástico, mas no fundo um reacionário. Se não é um grande ator(no sentido Shakespeariano da palavra), possui carisma e espontaneidade suficiente para convencer.

Qual é o Nome do Bebê?” foi um êxito de público na França, aonde levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas. É um filme surpreendente que apoia seu êxito no binômio “ótimos diálogos” e “boas interpretações” para ser também um sucesso artístico.


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