Reestreia: Anti-Nelson Rodrigues


 

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Depois de enorme sucesso no CCBB, a montagem prossegue, temporada agora no teatro Glaucio Gill, em Copacabana, de 3 de ulho a 3 de agosto.

“…o ótimo texto só agora é remontado no Rio, sob a direção arguta de Bruce Gomlevski, extraindo boas performances do seu elenco” (Rafael Teixeira, Veja Rio)

Todo o elenco apresenta excelente trabalho”(Rodrigo Monteiro, blog Crítica Teatral)

Em 1974, estreava no Rio a penúltima peça de Nelson Rodrigues (1912-1980), escrita por insistência da atriz Neila Tavares. Há oito anos sem levar a público qualquer criação, o jornalista e dramaturgo surpreendeu mostrando uma história com final aparentemente feliz – e, por isso, batizada como ANTI-NELSON RODRIGUES. Com direção de Paulo César Pereio, tinha no elenco, além de Neila e Pereio, José Wilker, Iara Jati, Carlos Gregório e Nelson Dantas. A história que tinha como centro o encontro de Joice – moça do subúrbio de Quintino – com o jovem rico e mulherengo Oswaldinho foi um sucesso estrondoso.

Pela primeira vez nestas quatro décadas, volta ao cartaz no Rio a peça que o Anjo Pornográfico apresentou como o avesso de seu estilo, dirigida por Bruce Gomlevsky. No dia 3 de julho, sobe ao palco do Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, a nova montagem em uma nova temporada carioca, de um mês. A realização é da Nova Bossa Produções, da atriz Juliana Teixeira – que é também uma das protagonistas. “É um sonho antigo, o de montar essa peça, que mais de uma geração não viu aqui, na terra de Nelson. É uma pérola”, diz Juliana.

No elenco, Tonico Pereira (Simão Salim), Yasmin Gomlevsky (Joice), Joaquim Lopes (Oswaldinho), Juliana Teixeira (Tereza), Rogério Freitas (Gastão), Carla Cristina (Hele Nice) e Gustavo Damasceno (Leleco).

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UM LEGÍTIMO NELSON

O rico herdeiro Oswaldinho, rapaz cínico, inescrupuloso e mulherengo, é filho de Tereza e Gastão, e leva a vida na flauta, mimado pela mãe, que é obcecada pelo rapaz, e desprezado pelo pai. A suburbana Joice, firme e decidida, é o centro da vida do pai viúvo – Salim Simão, ele próprio um “personagem de Nelson Rodrigues”. Acostumado a ter tudo o que quer, Oswaldinho tenta comprar Joice, que não abre mão de seus princípios nem se deixa seduzir por poder ou dinheiro.
A trama, apesar da leveza que a diferencia das grandes tragédias rodrigueanas como Vestido de Noiva, Anjo Negro ou A Falecida, não foge em momento algum da forma e do conteúdo que fizeram de Nelson Rodrigues um dos maiores do teatro brasileiro. Estão lá a carpintaria sofisticadamente simples e fluida, a organicidade da trama, as frases de efeito como fogos de artifício; estão ali os temas mais caros ao dramaturgo – o canalha e sua redenção, o erotismo familiar, os desejos sufocados pela mediocridade da vida.
“A peça, apesar da leveza, continua abrigando o retrato da sordidez humana que nunca deixa de existir na obra de Nelson, sempre universal”, aponta Gomlevsky, que pela primeira vez dirige uma obra do dramaturgo carioca. “E quero muito, um dia, atuar em uma peça dele”, completa.

SÓRDIDO E ROMÂNTICO
Décima sexta peça de Nelson Rodrigues, ANTI-NELSON tem, em palavras do próprio autor, um final feliz. Para muitos, o final é na verdade autoirônico. Em diversos momentos do texto, Nelson faz referências a si mesmo (Espera lá! Não é o Salim Simão botafoguense, o personagem de Nelson Rodrigues?[ …] Eu pensava que era assim como o Sobrenatural de Almeida, o Gravatinha, a Grã-Fina das narinas de cadáver… / Olha que, segundo o Nelson Rodrigues, eu sou um extrovertido ululante).

“Nelson é um especialista em relações humanas”, aponta Gomlevsky. “Há uma tendência a levar ao palco um Nelson operístico, expressionista. Quero levar essa linha mais realista que tenho seguido nos meus últimos trabalhos, combinando com a proximidade da cena com o público que é a marca o Teatro III do CCBB”.

A “heterogeneidade dos papeis torna difícil e rica essa escalação do elenco”, lembra ainda o diretor. “São atores de diversas faixas etárias e backgrounds. Mas tivemos uma grande sorte e o elenco é excepcional. O resultado é que mostramos com fidelidade esse ANTI-NELSON que é extremamente carioca, extremamente brasileiro e profundamente universal”.

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CENÁRIO SINTÉTICO E FIGURINOS DE ÉPOCA
Penteados e figurinos seguem a linha de época, firmemente referenciados nos primeiros anos da década de 1970. O cenário é produzido através de elementos definidores de cada ambiente, trazidos à cena pelos atores “A simplicidade e o despojamento dos espaços vazios, em que a luz demarca os ambientes, vai ao encontro da estrutura repleta de cortes cinematográficos”, define Bruce.

Assim, a cadeira do escritório ou a cama do quarto, por exemplo, constroem cada cenário e ganham recortes de luz que permitem a rápida passagem de um ambiente para outro – e, às vezes, a concomitância de dois ambientes ou dois momentos da trama.

A Nova Bossa Produções Culturais, produtora fundada por Juliana Teixeira em 1998, atua nas áreas do teatro, cinema e 3º setor, realizando projetos culturais diferenciados para todos os públicos. Na área do 3º setor o Curta na Praça, Curta na Praça Comunidades, Passageiro do Futuro, Caminho da Cultura, Circuito Cine Curta e o Cultura Carioca Expressa, voltados para os estudantes das redes públicas e suas famílias, em áreas menos favorecidas da cidade (foram quase 200 mil pessoas beneficiadas). No teatro, a NB produziu Aos Domingos (de Julia Spadaccini/ direção: Bruce Gomlevsky); Por Telefone (de Antonio Fagundes / direção: Luís Artur Nunes); Dá Uma Entradinha Só Para Você Sacar Como Esse Homem Me Ama (de Luiz Carlos Góes / direção: Joaquim Vicente); Inês De Castro – Rainha Morta, (adaptação: Marcílio Moraes / direção: Marcello Escorel); Tudo no Escuro, (de Peter Shaffer / direção: Marcus Alvisi); Um Gosto De Mel, (adaptação e direção: Amir Haddad) e Cuidado, Patricinha! (texto e direção: Eduardo Dusek).
No cinema, os filmes de curta-metragem Deus Vai Nos Ajudar, Ratoeira, A Breve Estória de Candido Sampaio; o documentário Caminho da Cultura, de Pedro Carvana.
www.novanossa.com.br

Secretaria de Estado de Cultura, Hospital Samaritano e Valid apresentam
ANTI-NELSON RODRIGUES
Peça em três atos de Nelson Rodrigues
Direção: Bruce Gomlevsky
Com Tonico Pereira, Joaquim Lopes, Juliana Teixeira, Yasmin Gomlevsky, Rogério Freitas, Carla Cristina e Gustavo Damasceno

Iluminação: Luiz Paulo Neném / Direção Musical: Mauro Berman
Cenário: Patti Faedo / Figurinos: Nívea Faso / Visagismo: Márcio Mello
Assistente de Direção: Luiza Maldonado

Direção de Produção: Juliana Teixeira

Produção Executiva: Quintal Produções Artísticas | Verônica Prates
com Maitê Medeiros (Gestora de Projetos) e Fellipe Marques (Assistente de Produção)

Realização: Nova Bossa Produções Culturais

De 3 de julho a 3 de agosto, sempre de sexta a segunda às 20h
Duração: 70 minutos
Ingressos: R$ 30 (inteira) – meia (R$ 15) para estudantes e idosos
Classificação etária: 16 anos

Teatro Gláucio Gill – Capacidade: 152
Praça Cardeal Arcoverde, s/n
Copacabana – Rio de Janeiro
Tel: (21) 2332 7904/ 2332 7970 (administração)

Assessoria de imprensa VERBO VIRTUAL
Luciana Medeiros e Paula Catunda
lucianamedeiros@verbovirtual.com.br | paula.catunda@gmail.com


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