Série Divas: 1. Ingrid Bergman


 

Por Adriana Mello

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Ingrid Bergman foi uma das figuras mais interessantes do cinema. Além de reunir todos os atributos de uma diva, Ingrid possuía duas características que a diferenciava das outras: personalidade e talento.  Não acho que talento seja algo fundamental para uma diva.  A Marilyn por exemplo, sempre foi péssima atriz e mesmo assim tornou-se um mito. Já imaginaram a história do cinema sem a Marilyn? Não dá nem para pensar. Mas, Ingrid, além de linda era uma excelente atriz e isso a diferenciava das outras.  Ingrid ganhou 3 vezes o Oscar (em 7 indicações), o que a torna a segunda pessoa (entre atores e atrizes) com o maior número de vitórias no prêmio, perdendo apenas para Katherine Hepburn que venceu a premiação 4 vezes.
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Ingrid Bergman nasceu em Estocolmo, na Suécia, no ano de 1915, filha de mãe alemã e pai sueco. Filha única, perdeu a mãe aos 2 anos de idade, foi seu pai, um fotógrafo boêmio que lhe passou o amor pela arte. Aos 13 anos, seu pai faleceu e a menina foi morar com seus tios paternos: Otto e Hulda. Aos 18 anos, Ingrid ingressou na Real Escola de Arte Dramática de Estocolmo. No ano seguinte já estreou no cinema com um pequeno papel na comédia “Munkbrogreven”. Seu primeiro papel principal foi em 1936, no filme “Intermezzo” e foi pela sua atuação nesse filme que Ingrid chamou a atenção do produtor David Selznick, que na época produzia “E o Vento Levou…”, ele ficou tão impressionado com a atriz que enviou um representante da Metro para Suécia com a tarefa de adquirir os direitos da história e convencer Ingrid a fazer o remake hollywoodiano. No encontro a moça mostra sua personalidade e diz que não trocaria seu nome sueco, não afinaria as sobrancelhas e não ficaria loura para os americanos. Não teve jeito e Selznick concordou.  Mas antes de ir para Hollywood, ela ainda fez 5 filmes na Suécia.
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Em 1937, casa-se com o dentista Petter Lindstrom, pai de sua primeira filha, Pia Lindstrom. Em 1939, chega aos Estados Unidos para começar a filmar a versão americana de “Intermezzo” ao lado de Leslie Howard e sob a direção de Gregory Rataff. O filme foi um estrondoso sucesso e Ingrid recebe os maiores elogios da crítica especializada.

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Com o início da Guerra, Ingrid assina um contrato de 5 anos com o diretor David Selznick e levou a família para morar com ela no Estados Unidos. Não demorou nada para Ingrid tornar-se um sucesso de público e crítica. Nos anos seguintes fez, “Os Quatro filhos de Adão“, “O Médico e o Monstro” e “Fúria no Céu“.
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Em 1942, faz o filme pelo qual seria eternamente lembrada: “Casablanca“. Ao lado de Humphrey Bogart, Ingrid interpreta Ilsa Lund-Laszlo, uma mulher dividida entre dois amores, incerta sobre seu presente e seu futuro.
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Em 1948, Ingrid assiste “Roma, Cidade Aberta” do diretor Roberto Rossellini e fica extremamente tocada pelo filme. O filme mexe com tanto com a atriz que ela escreve uma carta ao diretor italiano:
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“Caro senhor Rossellini, vi seus filmes “Roma: cidade aberta” e “Paisá” e gostei muito deles. Se precisar de uma atriz sueca que fale inglês muito bem, não esqueceu o alemão, ainda não é muito inteligível em francês e de italiano só sabe ti amo, estou pronta para fazer um filme com o senhor”.
Qualquer diretor teria dado pulos de felicidade com aquela carta, mas Rossellini, um dos pais do neo-realismo italiano, nem sabia quem era Ingrid Bergman. Assim mesmo ele respondeu:
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“Acabei de receber com grande emoção sua carta, que chegou no dia do meu aniversário como o presente mais precioso”
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E foi dessa forma que Ingrid foi escalada por Roberto Rossellini para “Stromboli”. Quando partiu para a Itália, Ingrid nem imaginava a reviravolta que aconteceria em sua vida. Durante as filmagens, ela e Rossellini apaixonaram-se e viveram um romance. O caso foi descoberto quando Ingrid revelou que estava grávida do italiano. Ambos eram casados e o romance foi um escândalo estrondoso. Na semana de estréia de “Stromboli”, nasceu Roberto, primeiro filho do casal. Uma semana depois, Ingrid divorciou-de de Lindstrom e casou-se com Rossellini no México.
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Ingrid pagaria caro por suas atitudes. Ela que era vista como exemplo de comportamento e como uma das mulheres mais bem casadas do cinema, passou a ser considerada uma pecadora. Para os americanos, seu comportamento era imperdoável. Ingrid foi massacrada pela Igreja, sofreu duras críticas da imprensa, seus fãs a chamavam de vagabunda e até um senador chegou a declarar que a atriz era “uma poderosa influência do mal” para a América. Foi um período difícil, mas o pior ainda estava por vir, após o divórcio, Ingrid foi proibida de ver sua filha mais velha, Pia, de 10 anos de idade. Ingrid sofreu horrores com a separação da filha e só mais de 1 ano depois, ela conseguiu rever a menina. Em 1952, nasceram as gêmeas Isabella (a atriz Isabella Rossellini) e Ingrid.

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Ingrid morou na Itália por 7 anos e só atuou em filmes dirigidos por Rossellini, ele não queria que a esposa fosse dirigida por outro, juntos fizeram: “Europa 51“, “Viagem à Itália”, “O Medo“, “Joana D’arc na Fogueira” e participou de um episódio de “Nós, as Mulheres“. Em 1956, ela faz “As Estranhas coisas de Paris” com o francês Jean Renoir.
Em 1957, Ingrid e Rossellini separam-se e ela parte com seus filhos. Após o divórcio, ela volta a ser chamada para fazer filmes nos EUA.  Seu retorno ocorre em “Anastácia“, filme produzido pela Fox. O sucesso foi tão grande que ninguém parecia lembrar do escândalo, era como se nada tivesse acontecido. E para coroar o retorno triunfal, Ingrid ganharia o Oscar de melhor atriz (o segundo de sua carreira), por sua atuação em “Anastácia“.
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O retorno aos EUA fez um bem enorme a Ingrid. Já casada com Lars Schmidt, um empresário sueco, ela escolhia os roteiros que realmente lhe interessavam. Nesse período ainda fez: ”Indiscreta“, “Mais uma vez Adeus“, “Caminhando sob a Chuva da Primavera“, “A Aventura da Descoberta“, “Assassinato no Expresso Oriente” (filme que lhe rendeu seu terceiro Oscar), “Questão de Tempo” e “Sonata de Outono” (seu último trabalho no cinema). Ela ainda fez a minissérie “Golda“, sobre a líder israelense Golda Meir.
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Seu último filme “Sonata de Outono” reuniu três ícones do cinema sueco e mundial; Ingrid Bergman, Liv Ullman e Ingmar Bergman na direção. “Sonata de Outono”  filme denso, depressivo, bem difícil de assistir, uma obra-prima. O filme mostra o reencontro entre uma mãe e uma filha que não se viam há algum tempo. Esse reencontro traz a tona algumas lembranças do passado e mostra uma relação cheia de raiva e rancor. É um acerto de contas entra as duas. Como não podia deixar de ser, a relação entre Ingrid e Ingmar no set foi complicada, eles discordavam o tempo todo. Em uma entrevista, Liv Ullman revelou que as discussões entre os dois eram violentas e que por muitas vezes, Ingrid chorou, mas ressaltou que apesar de bater de frente, Ingrid sempre respeitava a decisão do diretor. É bem interessante ver nesse filme o encontro entre uma madura Ingrid Bergman e uma jovem Liv Ullman.
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Foi durante as filmagens de “Sonata de Outono” que Ingrid detectou os primeiros sintomas de um câncer de mama. Ela travou uma luta de seis anos contra a doença, chegou a fazer duas mastectomias, mas não resistiu. No dia 29 de agostos de 1982, no mesmo dia em que nasceu, Ingrid Bergman faleceu em sua residência em Londres cercada pelo carinho de seus filhos. O cinema perdia sua diva mais ousada, ela não tinha medo da opinião de ninguém, fazia aquilo em que acreditava e tinha vontade. Ao longo de sua vida, cometou erros e acertos, mas acima de tudo ousou, lutou e foi feliz.
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Palpites para este texto:

  1. Texto perfeito. Concordo em tudo, sou suspeita pra falar, desde menininha gostei/gosto dela, tenho livros, fotos, pastas e pastas cheias de fotos. Um TUMBLR dedicado ( http://fab-ingrid.tumblr.com/)e quase todos os filmes em DVD, menos os suecos. Linda e natural, amava o que fazia e não teve dúvidas de largar tudo por um amor que lhe trouxe muitas dificuldades e rejeição. Merece, é diva!

  2. Oi Ruby,
    Fico feliz que vc tenha gostado do texto.Tb sou muito fã da Ingrid. Era uma atriz excepcional! Uma mulher de fibra, capaz de enfrentar td e todos por um grande amor. Sou muito fã!
    Beijos
    Adriana

  3. Rosana Vendemiatti -

    Ingrid Bergmam ,me encantou dez do primeiro momento…nasci em 1986….pena!Porque adoraria vê-la um dia…depois de 4anos de sua morte eu nasci e meu pai que ja tinha 45 anos me ensinou a amar filmes antigos!Ao ver Casablanca com ele me apaixonei por ela…eu dsvia ter 4 anos ou 5 ñ me recordo,mas seu rosto,jeito,se pareciam muito comigo e dez de então sou louca por ela!Seus filmes…é…Sonata de outono de 78, Europa 51,O médico e o monstro Ivy de 1941 , Stromboli de 1948 e 49 amo esses!!!Tenho 28 e ñ vivi metade do que essa mulher viveu…se eu pudesse falar algo pra Pia …sua filha diria:”Vc teve uma mãe espetacular ,alegre,linda!Lor fora mas por dentro tbm…suas expressões ñ negam isso!Ingrid Bergmam um exemplo pra mim….♥

  4. Rosana Vendemiatti -

    #como ela ,ñ me importo com opinião alheia!Foi julgada pelo mundo na época,mas nem por isso deichou de lutar e ser feliz.Parabéns Ingrid vc viveu intenssamente…♥

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