Série Divas: 4.Louise Brooks


 
Por Adriana Mello.
Tenho que confessar que sou fascinada por Louise Brooks (atriz do cinema mudo). Toda vez que vejo uma foto ou alguma cena feita por ela, não consigo tirar olho. Depois descobri que não era só eu. Existe algo de hipnotizador nessas imagens antigas que foram esquecidas por tanto tempo. Sua história de vida é bem particular.
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Dona de uma beleza de traços fortes, também possuía um temperamento explosivo.  Louise nunca se submeteu as normas vigentes em Hollywood na época. Ao contrário de seus colegas, ela não aceitava ser mal paga, ser explorada e não ter seu nome nos créditos. Era natural que os atores se submetessem a essas regras, pois esse era o único de conseguir trabalho.  Os todos poderosos de Hollywood ficaram extremamente incomodados com as atitudes da atriz. Talvez essa seja a razão dela ter sido posta de lado por tanto tempo.
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Louise Brooks participou de 24 filmes entre os anos 1925 a 1938. Seu cabelo curto e liso lançou moda e tornou-se uma marca dos anos 20.
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Seu filme de maior sucesso foi A Caixa de Pandora (Pandora’s Box), rodado na Alemanha. No filme, ela interpreta Lulu, uma mulher misteriosa que seduz todos os homens que se aproximam dela. Há quem garanta que Lulu foi inspirada na própria Louise que teve uma vida amorosa bem movimentada. Seu namorado mais famoso foi Charles Chaplin.
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Louise Brooks nasceu nos Estados Unidos (em Kansas) em 1906. Aos 15 anos de idade decide ir sozinha para New York, onde se junta a Denishaw Dance Company, uma respeitada companhia de dança moderna americana. Em 1925 une-se ao grupo Zigfeld Follies, onde se destaca e faz seu primeiro filme The Street of Forgotten Men. Logo depois, ela assina contrato com a Paramount por um período de  5 anos e muda-se para Hollywood, onde faz inúmeros filmes.  Em 1928, após o produtor B.P Shulberg lhe negar um aumento de salário, ela deixa a Paramount e vai para a Alemanha a convite do diretor G.W. Pabst filmar A Caixa de Pandora.
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No fim do mesmo ano, Louise retorna para Hollywood, já no início da era sonora. Como ainda estava furiosa com a Paramount, ela recusa uma oferta US$ 10.000,00 para dublar sua personagem no filme Canary Murder Case, produzido sem som e ainda não lançado por essa razão. Furiosos, os executivos  deram um ultimato: ou voltava ou nunca mais trabalharia em Hollywood. Geniosa, ela respondeu: “E quem quer trabalhar em Hollywood?”. Por vingança, os produtores, irados, espalham que a voz de Louise era péssima e que por esse motivo a dublagem não tinha sido realizada. Como o cinema sonoro já tomava conta do mercado, esse boato foi devastador para a carreira da moça.
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Entre 1929 e 1938, trabalhou em algumas produções europeias. Retorna a New York em 1943, onde consegue um emprego na rádio CBS. Esquecida pelo cinema e pelo público ela chega a trabalhar em uma loja de departamentos para poder se sustentar.
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Na década de 50, Louise, dedica-se a literatura. Seu livro, Lulu em Hollywood torna-se um enorme sucesso. Envelhecida e amargurada, ela leva uma vida reclusa até o fim. Louise Brooks falece no dia 8 de agosto de 1985 aos 78 anos de idade
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Com seus filmes sendo restaurados e lançados em vídeo e DVD, com documentários sobre sua vida sendo realizados, e com sites dedicado à ela (nenhuma outra atriz tem a quantidade de sites que Louise tem), o mito renasce. E finalmente, mesmo tardiamente, Louise brooks recebe todo o reconhecimento por sua carreira, sua coragem e pela sua vida.
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P.S: Nos anos 90, o grupo OMD lançou a música Pandora’s Box em homenagem a Louise Brooks. Vale muito a pena dar uma olhadinha no clipe, pois as imagens são lindas de morrer! Através dela é possível compreender o fascínio que Louise desperta até hoje.
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