Sombras da Noite


 

Cotação: Ruim.

Em 1752 o aristocrático casal Joshua e Naomi Collins, juntamente com seu filho Barnabas(Johnny Depp), deixam Liverpool para “fazer a América”. No Maine, aonde se instalaram, se consolidam como donos e impulsionadores da principal indústria da região, criam um império econômico regional e terminam por construir um enorme castelo em estilo gótico. Ao não corresponder aos amores de Angelique Bouchard(Eva Green), que na verdade é uma bruxa, Barnabas sofre uma série de infortunios, como a morte de seus pais e do seu grande amor Josette(Bella Heathcote), como se isso não fosse desgraça suficiente, sofre uma maldição pior que que simplesmente a morte, ganha a eternidade e a forma de um vampiro, como tal acaba enterrado vivo pela população da cidade. Quase 200 anos depois, por obra do acaso acaba sendo libertado das trevas. Retorna ao antigo castelo de propriedade de sua família, aonde conhece seus parentes dos tempos modernos, mas junto deles só encontra decadência e ruína, sem contar com as consequências que seus parentes sofrem pelo peso da maldição que assola a família há 2 séculos.

Sombras da Noite” é uma adaptação da antiga série homônima da televisão americana, exibida pela ABC entre 1966 e 1971, trata-se do 8º filme feito pela dupla Burton-Depp e nada acrescenta à carreira de ambos. Tim Burton está mais preocupado em oferecer um espetáculo visual, totalmente dependente da eficácia da direção de arte e na carregada maquiagem mas pouco preocupado com a forma e o conteúdo da história que conta. É percebível um Tim Burton burocrático na direção, inclusive na direção de atores(que sempre foi uma qualidade sua). Até mesmo filmes que realizou sob encomenda, como “Batman“, conseguiu demonstrar mais sua assinatura pessoal que neste aqui.

Johnny Depp, depois de tantos anos servindo com competência às bizarrices de Burton, dessa vez carece de dar alma ao vampiro que interpreta, atuando de maneira burocrática e sem conseguir emanar a empatia de outros de seus personagens do universo “burtoniano“. Lógico que imaginar outro ator para o papel seria o desastre total, ou seja, ruim com ele, pior sem ele.

Quem mais se destaca no filme é a vilã Eva Green, que desde que despontou em “Os Sonhadores“, o maravilhoso filme de Bernardo Bertolucci, ficou 10 anos na condição de eterna promessa. Eva Green é a única que se salva do desastre. Essa sua condição de eterna promessa é em grande parte sua responsabilidade, por escolhas erradas em filmes que só serviram para fazer sua carreira patinar, inclusive poderia ter investido mais na sua carreira na França ao invés de fazer Bond-girls(deveria seguir o preceito de que para ser uma grande estrela internacional é necessário, antes, ser uma grande estrela nacional).

A única grande novidade no filme de Burton é a presença de Michelle Pfeiffer, depois de longo e tenebroso inverno, afastada de produções significativas. Afinal, mesmo que o filme não seja bom, não deixa de ser um “filme de Tim Burton“. Já a presença de Helena Bonham Carter é patética, com um personagem que nada acrescenta ao filme, apenas um ato de nepotismo de Burton.

Tim Burton é um dos cineastas mais originais e interessantes do cinema atual, mas errou feio em “Sombras da Noite“.


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