Baú da Adriana: Todos os Homens do Presidente


 

Texto de Adriana Mello.

Todos os Homens do Presidente” é um belíssimo filme de Alan Pakula. O filme conta como dois repórteres do “The Washington Post” revelaram ao mundo um dos maiores escândalos da política mundial: o caso Watergate.

Em 18 de junho de 1972, em pleno ano eleitoral, cinco homens foram presos por invadirem a sede do partido democrata no edifício Watergate em Washington. No momento em que foram surpreendidos, os invasores tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escutas.

O jornal “The Washington Post” designou os repórteres, Robert Woodward e Carl Bernstein, para cobrir o que parecia ser apenas um crime comum, ou como definiu a Casa Branca; “um furto de terceira categoria”. Woodward e Bernstein perceberam que havia muito mais coisa por trás daquela história, e com a ajuda de uma fonte sigilosa, conhecida por “Garganta Profunda”, os dois passaram a seguir pistas que indicavam o envolvimento do governo americano no caso.

Após dois anos de pesquisa e investigação, os dois jornalistas conseguem esclarecer para os americanos o que realmente havia acontecido naquela madrugada de 18 de junho de 1972. Os invasores estavam a serviço do Partido Republicano e tentavam obter informações confidenciais sobre o candidato democrata George McGovern. Nixon não só tinha conhecimento das ações ilegais, como teria feito um caixa dois para bancá-las. O objetivo era encontrar alguma coisa contra o candidato adversário para usar durante a campanha e obter a vitória nas urnas.

Em 1973, a Casa Branca foi considerada suspeita de encobrir a espionagem contra os democratas. No mesmo ano, três dos principais assessores de Nixon renunciam sob a suspeita de envolvimento com o caso, e outros sete (entre eles o Secretário de Justiça, John Mitchell) são indiciados por obstrução da justiça. Algumas testemunhas afirmam em depoimento que desde 1971, Nixon gravava todas as conversas com seus colaboradores. A Suprema Corte ordenou que ele entregasse as fitas das conversas gravadas em seu gabinete. Apesar de estarem parcialmente apagadas, a fitas comprovam o envolvimento do Presidente Americano, e ele acaba admitindo. O Senado decide abrir processo de impeachment contra Nixon, mas ele antecipa-se, e renuncia ao cargo em 8 de agosto de 1974. O vice-presidente Gerald Ford assume a presidência americana. Ford concedeu o perdão oficial a Nixon para evitar um processo contra ele.

Durante mais de 30 anos, a identidade de “Garganta Profunda” permaneceu desconhecida, mas em 2005, Mark Felt, que na época era o segundo homem na hierarquia da FBI revelou que ele era o misterioso informante. A informação foi imediatamente confirmada por Robert Woodward e Carl Bernstein. Felt também contou que durante os 33 anos que seu nome foi mantido em segredo, ele sempre se questionou sobre o papel desempenhou nisso tudo e temeu ser descoberto. Apenas Woodward, Bernstein e Bem Bradlee (editor do “The Washington Post”) sabiam quem era o “Garganta Profunda”. Durante dois anos, Felt encontrou-se secretamente com Woodward. Nesses encontros, o agente passava ao jornalista todas as descobertas do FBI sobre o caso. Mark Felt fez Woodward e Bernstein prometerem que só revelariam sua identidade após sua morte, sua própria família só ficou sabendo em 2002 e foi a família de Felt que o convenceu a contar tudo.

Mark Felt, o Gargana Profunda, entre Carl Bernstein e Robert Woodward

Muitos acreditaram que as razões que levaram Felt a se transformar em “Garganta Profunda” era a indignação com a desonestidade Nixon, mas não foi bem assim. Em 1972, o diretor do FBI, Edgard Hoover, morreu. Felt era seu substituto natural, mas Nixon escolheu nomear um antigo aliado para o cargo e Felt continuou como vice-diretor. Com raiva, Felt viu no episódio Watergate a chance de se vingar de Richard Nixon.

O filme é fiel aos fatos, Pakula foi muito feliz ao misturar cenas reais com as do filme. Com isso, o filme ganha um leve ar documental que nos dá a idéia exata da dimensão do que foi o Watergate.

Todos os Homens do Presidente” é um desses filmes que toda vez revermos sempre será atual. Além de mostrar toda dedicação exaustiva de Woodward e Bernstein pelo caso e a influência da mídia, o filme aborda uma outra questão; o métodos utilizados pelos políticos (e seus partidos) para desmoralizar seus adversários. E é nesse ponto que constatamos que apesar de Watergate ter acontecido há 36 anos, tudo permanece exatamente igual. De bom, fica o exemplo e a perseverança de Robert Woodward e Carl Bernstein. Que apesar de todos os obstáculos, foram até o fim na busca pela verdade.


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