Crítica: Tragga – Uma Parrilla Argentina em Botafogo


 

 

Uma notinha na coluna “Novos Sabores” no Rio Show me levou no último sábado a me deslocar até Botafogo para experimentar a mais nova parrilla argentina na cidade, o “Tragga”.

Desde o encerramento do “El Patio Porteño” na Lagoa, o Rio de Janeiro se ressentia de uma carne com o autêntico sabor da Região do Prata. Recentemente no Leblon se instalou o uruguaio “Gonzalo”, um sucesso absoluto. Passa-se na porta, seja à noite, seja no fim-de-semana, impossível não notar a fila colossal que se forma na calçada. Neste sábado(01/12) tinha direito até a Claude Troisgrois esperando humildemente sua vez.

Em Botafogo(tenho dúvidas se ali é Humaitá ou Botafogo), bem ali no seu polo gastronômico se instalou o “Tragga”, com seu corte argentino. A casa começou suas atividade no último dia 22 de novembro na rua Capitão Salomão, pertinho de ótimas pedidas de boa mesa para todos os gostos, desde o também recente e já bastante badalado “Irajá Gastro”(na Conde Irajá), até os tradicionalíssimos e maravilhosos “Aurora” e “Caravela do Visconde”(ambos na Visconde de Caravelas”). Cada vez mais esse triângulo das bermudas pantagruélico vai se firmando como o paraíso dos glutões. Sendo que suas opções são mais simpáticas e menos afetadas que o incensado e badalado polo gastronômico do Leblon.

Era um sábado, hora do almoço e o restaurante não tinha nem 10 dias de vida. Sem valet, eu preferi parar no rotativo bem no início da Capitão Salomão(apesar do preço salgado – R$ 28,00 de estacionamento), mas creio que não deve ser tão difícil achar vaga nas redondezas(eu é que sou preguiçoso para isso). O “Tragga” fica na Capitão Salomão bem na esquina com a Visconde Silva numa casa muito simpática e de muito bom gosto. O ambiente é agradável e bonito, com projeto assinado por Helio Pellegrino e Alessandro Wititiz. Possui um bom espaçamento entre as mesas(coisa cada vez mais rara) e uma boa circulação. À noite deve ser bastante aconchegante. Possui 2 andares, o 2º um mezanino.

Cheguei em torno de 12:45 e pude escolher a mesa com tranquilidade, mas às 13:30 já estava lotado e quando fui embora o bar que fica no 1º andar estava todo tomado pelos clientes à espera de  uma mesa, sem mencionar uma bela fila na porta. Acho que a espera ia ser grande.

Éramos 2 pessoas, eu e Adriana. Pedi de entrada um chorizo tradicional e a Adriana uma empanada criolla. O chorizo estava bom, eram 3 peças. Em comparação aos últimos restaurantes platenses que estive, posso dizer que era do mesmo nível do “Gonzalo” e inferior ao do “Pobre Juan“(que tem um chorizo maravilhoso). Da próxima vez vou arriscar um chorizo misto, que pareceu tentador, mas dessa primeira vez fui conservador. A empanada, segundo a Adriana, estava boa(na sua definição), vinha com passas e azeitona, com a carne tendo um sabor ligeiramente adocicado.

Como pratos principais pedi um bife de chorizo(embora tenha ficado tentado a experimentar o carrê de cordeiro, fica para a próxima) e como acompanhamento farofa de huevos(um dia juro que vou conseguir achar farofinha em Buenos Aires, até a presente data, oficialmente, ela inexiste) e papa provençal(batata temperada com salsinha e alho). A Adriana esnobou a carne e foi para um sorrentino de pêra, que é uma massa argentina recheada com pêra e molho de queijo brie.

 

foto tirada do meu celular.

 

Enquanto aguardávamos, através dos seus enormes janelões de quase 2 metros lindamente revestidos em aço, pude ficar apreciando a vida lá fora de uma das regiões que considero mais simpáticas da cidade. Da parte interna, não pude deixar de reparar no belíssimo portão de madeira na entrada, colada num elevador, instalado para facilitar a entrada de cadeirantes. Observei que à medida que a casa ia ficando lotada uma certa inquietação e tensão no dono(ou pelo menos parecia ser o responsável pela casa). O serviço deu uma caída, não que ocorresse descortesia(muito pelo contrário), mas passou a correr um pouco mais de demora e percebi a equipe batendo um pouco a cabeça. O “aparente dono” inclusive “arregaçou as mangas” e botou a mão na massa, ajudando como podia no atendimento e tentando satisfazer os clientes(acho isso muito positivo). Não sei se a casa esperava tamanho movimento em tão pouco tempo(creio que a nota publicada no jornal na véspera contribuiu para aumentar muito o movimento e a curiosidade sobre a casa). Imagino o quanto deve ser gratificante ver seu empreendimento lotado com poucos dias de vida.

Chegou a comida. Havia pedido meu bife de chorizo  entre mal passado e ao ponto. Chegou bem passado, pecado mortal para os amantes da boa carne, mas isso já me aconteceu inclusive em Buenos Aires. A carne bem passada tende a perder seu sabor, mas a qualidade do bife de chorizo era de primeira e por isso, mesmo bem passada, a carne manteve-se saborosa. A tal farofa de huevos estava muito gostosa, a sua textura é diferente do que entendemos por farofa, mas gostei muito. A papa provençal veio muito bem temperada. O sorrentino de pêra estava, segundo palavras de Adriana, excepcional.

De sobremesa um vulcão de doce de leite. Porção farta e gostosa.

O “Tragga” tem para os dias de semana a opção o almoço executivo, que me pareceu bastante promissor, com os preços em torno dos R$ 30,00, tendo direito à salada e com mais R$ 5,00 um acompanhamento.

O saldo foi positivo, porém com algumas ressalvas. É preciso um aprimoramento na dinâmica do atendimento no salão quando a casa estiver cheia, porque pela amostra que tive isso será frequente. Mas talvez seja o preço que está pagando pela sua juventude. A questão do ponto da carne também é um detalhe que deve ser aprimorado e faz parte da excelência no atendimento do bom garçom. O cliente que percebe esse tipo de atenção no garçom tem por hábito premiá-lo com um adicional na gorjeta e a casa ganha um cliente fiel. Friso a questão do ponto porque se existe algo que irrita os amantes da boa carne é o erro no ponto da carne e porque percebi que não ocorreu somente comigo, ao ler o excelente blog Rio de Janeiro a Dezembro, reparei que isso também aconteceu com o Bruno Agostini.

Torço pelo sucesso da casa, tem potencial.

O preço final para 2 pessoas, com entrada, prato principal e sobremesa, mas ressaltando que sem bebida alcoólica, saiu por R$ 190,00. Preço justo.

Rua Capitão Salomão 74 – Humaitá
tel: 3507-2235


Palpites para este texto:

  1. Olha, valeu a pena esnobar a carne, pois a massa estava divina!

  2. Maria Regina Marques -

    Hoje eu e minhas amigas almoçamos no restaurante Tragga foi excelente. Gostei muito,parabéns.

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