Um Rio de Janeiro sem o Grupo Estação ou o Voo dos Abutres


 

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Por Renato Mello.

Esta é a semana decisiva para uma das maiores instituições culturais do Rio de Janeiro: O Grupo Estação.

Falência! Simples assim.

Os cinemas do Grupo Estação podem simplesmente acabar riscados do mapa cultural da cidade do Rio de Janeiro. Essa decisão está na mão de um grupo de credores, que votarão nesta semana a proposta apresentada pela cadeia de cinemas para o pagamento de suas dívidas. Na mão desse grupo de credores está algo muito mais complexo que a continuidade ou não de uma empresa, está em jogo o fim de um verdadeiro ícone da cultura nacional.

Já é público que entre as empresas que engatilharam suas armas para dar fim ao Grupo Estação estão os Bancos Santander e Mercantil. Caso sejam “vitoriosos” nessa assembleia, Santander e Mercantil carregarão por décadas em sua imagem institucional essa mancha: a falência do Grupo Estação.

O Grupo Estação, criado em 1985, é o grande responsável pela formação de toda uma geração de cinéfilos na cidade e o único lugar aonde é posível assistir filmes que normalmente são rejeitados pelo grande circuito. Os credores precisam ter em mente que não estão decidindo a falência de uma cadeia de lanchonetes ou uma confecção. Não, estão decidindo pelo afundamento definitivo de um símbolo da cidade.

Ninguém aqui defende o calote ou o não pagamento de dívidas. Se aprovarem a falência do Grupo Estação, nada receberão. Será a falência pura e simples. Se aceitarem a proposta de pagamento, o grupo continua.

Seriam credores como Santander e Mercantil uma versão nacional dos Fundos Abutres que obrigaram a Argentina a entrar no default? Pelo menos, na minha opinião, se comportam como tal.  Saberemos esta semana. Se a falência for decretada, jamais esqueceremos os descaso e a falta de preocupação com a cultura da cidade do Rio de Janeiro.

A situação é preocupante. É sabido que um outro credor, cujo nome ainda não veio a público, teria virado de lado e iria votar contra a proposta de renegociação. Quando seu nome vier à tona faremos questão de divulgar o novo abutre.

Resta-nos aguardar os acontecimentos desta semana. Mas faremos questão de divulgar aqui o nome de todos que votaram contra a cultura carioca. Assim como divulgaremos com maior prazer quem está aberto a continuidade do Grupo Estação. Sabemos que o Grupo Severiano Ribeiro apoia a proposta.

Por fim, quero apenas ressaltar que não tenho nenhum interesse pessoal no assunto. Não sou amigo e nem conhecido de nenhum dos integrantes do Grupo Estação, só os conheço de vista devido a essas décadas que frequentei seus cinemas. Meu único interesse é o de quem ama o cinema e o Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro sem o Grupo Estação é uma cidade muito mais triste.


Palpites para este texto:

  1. Hélio Seraphini Filho -

    realmente se isso acontecer é uma lastima uma empresa familia uma das melhores em que trabalhei talvez não pelo seus socios mais pelo conjunto de funcionários enfim amigo banco esta por cima de tudo Brasil quem manda não é governo é banco deram poder a essa corja agora aguenta!!!

    • É uma lástima em todos os sentidos, Hélio. Será um grande vazio, já que esse grupo foi o responsável pela formação de uma geração de cinéfilos, entre os quais me incluo. Será uma perda no mercado exibidor carioca, econômico, social(quantos empregos se perderão?) e acima de tudo cultural. Para mim ainda tem mais um aspecto afetivo: foi numa sala do estação que conheci minha mulher, 9 anos atrás.

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