Wagner Moura Leva Marighella Para as Telas de Cinema


 

Ao analisar aqui para o Botequim Cultural o livro “Marighella, O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”, comentei:  “considero uma falha gravíssima  de visão do nosso meio cinematográfico se esse livro não virar um filme”. Numa entrevista concedida no início do ano pelo autor do livro, Mário Magalhães, para este espaço, questionado sobre o assunto ele nos respondeu: “já recebi quatro sondagens para a venda dos direitos de adaptação do livro para o cinema”.

Finalmente Mário Magalhães bateu o martelo. Os jornais “O Globo” e “Folha de São Paulo” divulgaram hoje que a vida de Marighella nas telas de cinema será dirigido por Wagner Moura. Embora seja um estreante na direção, o Botequim Cultural apoia a escolha, pois se não tem experiência, Moura é possuidor de uma dignidade artística nas suas escolhas e nas suas atitudes que lhe dão a estatura moral para levar a frente essa empreitada.

Segundo as notícias divulgadas, Moura concentrará sua trama nos últimos 5 anos de vida de Carlos Marighella, da sua prisão após ser baleado durante uma sessão cinematográfica no cine Eskye-Tijuca em 1964(no ano do golpe), até a emboscada que lhe tirou a vida em 1969. Escolha acertada de Moura, pois acho o gênero “cinebiografia”  uma grande armadilha, com a tendência de ficarem chatas devido as enormes mudanças no tempo e caracterizações que se costumam fazer nos atores em virtude desses saltos no tempo, dando um ar fake a esse tipo de produção. Por isso, essa concentração num determinado tempo ajudará a dar a força e o vigor que a produção merece.

Pelo que compreendo dos textos, Wagner Moura não vai protagonizar(e ficar o menos tempo possível na frente das câmeras), pretendendo escolher um ator, provavelmente baiano, e com idade compatível a de Marighella no período de sua morte, 52 anos.

Wagner fez uma interessante declaração ao “Globo”: “- Não quero reduzir a esquerda à imagem de boazinha nem reduzir os militares a monstros malvados. Quero contradições para fazer um filme que funcione como entretenimento, mas tenha conteúdo”.

Aguardamos ansiosos a transposição para a tela de uma figura única, a altura do temor e da fascinação que Marighella despertou e esperamos que não se cometa os mesmo erros que aconteceram com a cinebiografia de Carlos Lamarca. Tá certo que “Lamarca” foi feito numa das mais difíceis fases da história do cinema brasileiro e com escassos recursos, mas isso não serve de desculpas para equívocos dramatúrgicos e um roteiro maniqueísta até a medula.  Mas pelo que vem sendo divulgado, Wagner Moura está bem consciente do caminho correto para atingir o êxito artístico.


Palpites para este texto:

  1. Com a polarização tão acentudada entre a direita e esquerda na atualidade,esse moço vai mexer num vespeiro.

  2. KKK Wagner Moura vai fazer filme de terrorista!!. Grande merda!!! Faz um filme pelo menos de um PCdeBista autêntico. Luiz Carlos Prestes

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